
Faz tempo
que deixei o meu menino
à porta de casa.
ficou à chuva e ao vento
deixado ao relento
do meu esquecimento.
faz tempo...
Tornei-me sem abrigo
ao fechar-me entre paredes
em que me selei a sós
e tive frio e fome e sede.
Cerquei-me de todos os agasalhos
e banqueteei-me sem convidado algum
no receio de não chegar.
Eu próprio fui as sobras
do quanto farto
de mim próprio fiquei.
E depois fui eu e eu e mais eu…
em contínua repetição
de mim mesmo.
Por fim,
o nada tomou-me nos braços
e eu caí.
Abriu-se-me a porta
e lá estava o menino
que supostamente não abriguei,
e com ele,
- faz tempo! –
tinha deixado meu coração.